sexta-feira, março 06, 2009

REX, o cão que queria ser livre

Um dia, vindo do nada, apareceu um cão vadio, nas ruas do bairro. Vinha doente, cansado. Abandonado.

Deambulava, coxeando das duas patas traseiras, pelas ruas do bairro, na procura incessante de quem o tinha abandonado naquele estado lastimoso.
Foi tratado, cresceu, agradeceu como os cães amigos e fiéis sabem agradecer. E partiu de novo. Andava pelas ruas da vila, livre. Livre como o vento. Caminhava sempre sem rumo à procura do que um dia tinha perdido.

_ Não era bom para a caça, dissera-lhe o dono que o abandonou e o colocou na rua doente, ao frio e à chuva. Nunca mais quis ter um dono. Estava desiludido com os homens. Era meigo, mas não trocava a liberdade por casa nenhuma, nem o canil lhe parecia seguro. Fugia sempre das grades que o prendiam. Um tecto para o agasalhar nas noites mais frias de inverno, era quanto lhe bastava e depois partia. Comia aqui ou ali.

Um dia, alguém o levou para longe, e ele voltou, sozinho. Há procura de quem e do quê? Quem sabe!

Voltava sempre ao local onde foi tratado para cumprimentar aqueles que lhe queriam bem, que o trataram quando esteve doente, agradecido e não esquecido, com o olhar mais meigo que bem se conhece a estes animais errantes. Chamávamos-lhe Rex. Queríamos que fosse um cão como nós, mas foi um cão livre como o vento e agora partiu para muito longe, definitivamente. Lutas com outros cães errantes ditaram o seu destino. Voou nas asas do vento como ele tanto gostava. Agora está lá do outro lado da ponte.

Nós lembraremos sempre este cão que não queria prisões, nem grades. Era um cão livre e feliz.

Deixou saudades aos amigos que falam dele, que perguntam por ele. As ruas do bairro ficaram mais vazias. Sente-se a falta do Rex

Era era um cão amigo. E os amigos não se esquecem.

5 comentários:

luisa disse...

Que triste a história do Rex. Como se pode abandonar um animal assim. Na minha terra é hábito dizer-se que:quem não gosta de animais, não gosta de pessoas.Vieram-me as lágrimas aos olhos ao ler a história do Rex.Tenho dois cães e não posso pensar que um dia ficarei sem eles.
Beijs.

Franky disse...

Esta história é triste mas bem real, Luisa.

O Rex apareceu perto da minha loja, muito doente, há já vários anos. Foi tratado por mim e várias outras pessoas. Tinha tido "esgana" de origem nervosa e estava paralisado das patas traseiras. O dono, mal soube que ele estava doente, pô-lo na rua. Depois de levado ao Veterinário foi tratado e parcialmente curado, pois nunca deixou de coxear totalmente. Mas era feliz mesmo assim. Corria atrás de tudo o que tivesse rodas e toda a gente o conhecia por aqui, na terra.
Eu tentei dar-lhe um lar, apesar dos 4 gatos e de uma cadela, mas foi impossível convencê-lo a viver num apartamento. Outras pessoas também lhe tentaram dar um cantinho, mas ele fugia sempre.
E assim chega ao fim a história do REX, um dos muitos cães abandonados que vagueiam pelas nossas ruas, só que este era especial. Era o REX!

Jon disse...

Pode não ter tido um dono com "D", mas pelo que descreveste, o Rex foi um cão feliz! :)
Beijinhos Franky.

Franky disse...

Olá Jon
Sem dúvida que o Rex foi um cão feliz. Sabes que se fosse por mim teria dado um lar ao Rex mas as coisas às vezes não são assim tão fáceis. Agora há por aqui um "Bugui" também podengo, que é tratado com muito carinho por alguns moradores. Já tem uma casa de cimento e comida não lhe falta.
Espero que o teu Bono continue maluco como sempre.
Beijinhos

Observador disse...

O que hei-de dizer, Franky?

Disseste tudo.